domingo, 7 de setembro de 2008

Que saudade do Pride...

Randy Couture assinou por três lutas com o UFC para defender seu cinturão, como já foi informado aqui no MMA Brasil pelo Antonio. Dana White, presidente do UFC, casou a primeira delas contra Brock Lesnar, marcado para o UFC 91. Em paralelo, mais uma edição do reality show The Ultimate Fighter, com Antonio Rodrigo "Minotauro" Nogueira e Frank Mir liderando as duas equipes e enfrentando-se ao final.

Os vencedores de Couture-Lesnar e Minotauro-Mir se enfrentarão pelo cinturão dos pesados do UFC. Se der o óbvio, teremos Randy Couture contra Rodrigo Minotauro, em um grande duelo. E depois disso, se der Couture (coisa que duvido muito), a luta final da carreira do americano, um duelo histórico contra Fedor Emelianenko, que lutaria como free agent.

Tudo muito bonito, certo? Mas tem um detalhe. O brasileiro Fabricio Werdum vai lutar a próxima contra Junior Cigano, estreante no evento, no UFC 90. Pelo contrato assinado, caso Werdum vença, sua próxima luta seria pelo cinturão. Quanto tempo Werdum terá que esperar, já que Couture ainda enfrentará Minotauro ou Mir, depois de Lesnar?

Outra pergunta: por que não colocar os inexperientes (ainda mais porque um é estreante!!) para se enfrentar, deixando os veteranos para decidir o cinturão decentemente? Infelizmente a resposta é fácil. O Lesnar, ex-ídolo do WWE, é conhecidíssimo nos EUA. A luta contra Couture é mais negócio (financeiramente falando) para o Dana White. A luta do Couture contra o Werdum seria melhor ao esporte. Mas Dana White não parece se preocupar muito com o esporte.

A luta entre Couture e Lesnar é daquelas furadas para o campeão. Se ele ganhar, bateu um cara que só tem três lutas no MMA. Se perder, será vergonhoso para alguém do nível dele. Lesnar pode ter futuro, é muito grande, mas só ganha do Couture atualmente num acidente (ou se encaixar um cruzado estilo Rashad Evans). Não acredito que aconteça. Acho que Couture vai aproveitar a experiência e o fato de ser velho conhecido do octógono para cansar o gigante para detoná-lo num clinch.

Como fã de boxe, acho que fiquei meio traumatizado. Vejo o Dana White com o mesmo pensamento que um dia guiou gente como Don King, que ajudou a afundar a Nobre Arte. Como alguns lutadores não tinham chance de lutar pelo título se não fossem contratados por King, independente do ranking, uma profusão de entidades começou a pipocar, para dar chance a todos de tentar o título mundial, como se cinturão fosse banana, vendido em feira. O UFC vai colocar um lutador com três lutas como profissional para disputar o cinturão. Enquanto isso, o meio-pesado Lyoto Machida, invicto em 13 lutas, não consegue sua chance. Isso sem entrar no mérito de algumas decisões contestáveis.

Ah, que saudade do Pride...

3 comentários:

Antonio disse...

O sonho seria MMA virar um esporte como é futebol, vôlei, judô... Com confederações nacionais e uma federação internacional regendo.

Mas, o boxe deixou esse legado de organização capitalista (várias organizações concorrendo umas com as outras)... O que só prejudica a competição justa no esporte.

Agora, mesmo na época de Pride isso já existia... Eu lembro que tantos queriam ver lutas como:
Liddell x Wand; Arlovski x Fedor; Couture x Minotauro... E só agora essas lutas vão rolar.

Alexandre Matos disse...

A diferença técnica entre os contratados do Pride e do UFC era tão grande que passei um tempo praticamente ignorando a existência do UFC.

Tinha muita opção de alto nível no Pride: Fedor, Minotauro, Cro Cop, Coleman, Arona, Belfort, Wand, Hendo, Herring, Schilt, Rampage, Sakuraba, vários Gracie...

O Arlovski do tempo de UFC era ridiculo. O Chuck Liddel pra mim é mais ou menos até hoje. Achava patética a disputa dele com o tosco do Tito Ortiz.

Naquela época, eu só sentia falta do Randy Couture no Pride. O resto...

Alexandre Matos disse...

Esqueci do Anderson Silva no Pride...