sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

UFC 95 Sanchez vs Stevenson: Card Principal

De volta à O2 Arena, em Londres, o UFC chega à edição 95 com um card sem grandes nomes, mas repleto de promessas. Assim como já foi mostrado pelo Antonio no card preliminar, nas lutas principais o panorama não será diferente. Além da luta principal entre os leves Diego Sanchez e Joe Stevenson, poderemos acompanhar o duelo dos médios que podem trazer algum barulho para a divisão, Damien Maia e Chael Sonnen. Maia se juntará a Wilson Gouveia, Paulo Thiago e Junior Cigano como os representantes nacionais no evento.

Paulo Thiago vs Josh Koscheck

Revelado no Jungle Fight e empresariado por Wallid Ismail, o meio-médio Thiago faz sua estréia no UFC encarando uma pedreira. O policial brasiliense aposta no fator surpresa para vencer, já que Kos declarou que nada sabe sobre o brasileiro. Para defender sua invencibilidade de dez lutas no MMA, Thiago precisará contar muito com seu queixo de aço para aguentar a pressão do adversário e leva-lo para o chão, onde se sente em casa (venceu 7 das 10 lutas por finalização).

Kos levará seu conhecido estilo alucinado para o octógono. Revelado na primeira temporada do The Ultimate Fighter, Josh vai tentar pressionar o brasileiro a qualquer custo e utilizar muito suas técnicas de defesa de queda para neutralizar o ponto forte do adversário.

Depois de declarar que nunca estuda nada sobre seus adversários e dizer que sequer viu uma foto de Paulo Thiago, Koscheck merece tomar uma lição para aprender que o MMA está no meio de uma revolução e que ele, com este comportamento, anda na contramão da evolução. Apesar disso, o americano leva amplo favoritismo nas casas de aposta.

Damien Maia vs Chael Sonnen

Sonnen é um wrestler, ex-atleta obscuro do UFC que foi "rebaixado" para o WEC. No evento menor, não obteve grandes resultados até novembro último, quando tirou a invencibilidade do brasileiro Paulo Filho, tido por muitos como único capaz de vencer Anderson Silva na divisão dos médios. Esta vitória o trouxe de volta ao UFC. Sonnen é membro da Team Quest, equipe que tem três lutadores batidos pelo adversário de sábado.

O brasileiro Damien Maia, formado em jornalismo, defende uma invencibilidade de dez lutas no MMA. Seu estilo clássico de jiu-jitsu chama atenção. Quem viu a facilidade com que o faixa preta derrotou Nate Quarry no UFC 91 pode comprovar o estilo preferido de Demian, de finalizar o adversário sem se machucar e sem machucá-lo, como prega a filosofia da arte suave. O paulista venceu todas suas lutas no UFC através do não menos clássico mata-leão. Bicampeão Mundial de jiu-jitsu, tri da Copa do Mundo e campeão do ADCC, não é difícil imaginar como Maia desenvolverá sua luta.

Veremos o clássico Jiu Jitsu x Wrestling, Brasil x EUA. Apesar do barulho feito em cima do americano, acredito que Sonnen será mais um degrau rumo à luta contra Anderson Silva para Demian Maia.

Wilson Gouveia vs Nate Marquardt

Depois de perder no UFC 84 para Goran Reljic, o cearense decidiu baixar de categoria, ao ouvir uma recomendação médica. Lutando agora na divisão dos médios, Gouveia vem de duas vitórias categóricas por finalização. Faixa preta de Jiu Jitsu e dono de mãos pesadas, o brasileiro diz que a mudança de categoria foi benéfica, pois sente-se mais forte que os adversários. Atleta da ATT, vem treinando duro para desafiar Spider Silva pelo cinturão.

Nate The Great é um lutador experimentadíssimo, com 40 lutas no MMA em dez anos de carreira profissional. Inteligente, com boas táticas de luta, Marquardt tenta retomar seu rumo, depois de ser derrotado por Anderson e Thales Leites, que se enfrentam no próximo evento. Tambem faixa preta de Brazilian Jiu Jitsu e com grande história no Pancrase, Nate treina na equipe de Greg Jackson, técnico de Georges St-Pierre.

Será uma luta muito dura, com ambos os lutadores de volta à boa fase. Quem vencer se aproximará um pouco mais da chance pelo título dos médios.

Dan Hardy vs Rory Markham

O combate de meios-médios que antecede a luta principal traz mais um combate EUA vs Inglaterra no UFC 95. O inglês Dan Hardy fez sua estreia tambem em casa, quando venceu Akihiro Gono no UFC 89. Com 27 lutas de MMA e com passagem pela Strikeforce, Hardy treina Jiu-Jitsu e Muay Thai na Team Rough House.

Markham, lutador de Muay Thai e Caratê Kyokushinkai, treinando na Miletich Fighting System e ex-integrante da IFL, fez sua estreia no UFC em julho, ao vencer Brodie Farber no UFN Silva vs Irvin, quando levou o prêmio de nocaute da noite, conseguido com um chute na cabeça, golpe clássico do seu estilo de caratê.

Diego Sanchez vs Joe Stevenson

A luta principal do evento será a estreia do mexicano Diego Sanchez na divisão dos leves. Muito mais alto que a maioria da categoria (ele é ex-médio e tem 1,80m), Sanchez é um fortíssimo candidato a tirar de BJ Penn o cinturão do UFC. Conhecido pelo apelido de Nightmare, Sanchez quer mostrar que realmente será o pesadelo da divisão. E não vem poupando esforços para tal, chegando inclusive a treinar em altitude superior a 2.200m, para melhorar seu condicionamento físico. Pupilo de Saulo Ribeiro, seis vezes campeão mundial de jiu-jitsu, Sanchez aposta tudo em sua performance no chão para finalizar Stevenson e seguir na caça de Penn.

Dez centímetros menor que o oponente, o Paizão, wrestler, faixa preta de jiu-jitsu de Robert Drysdale e campeão do TUF 2, é um lutador experiente (recorde de 29-9), muito raçudo, bom de queda e luta de chão, mas está num nível abaixo do adversário. Depois de perder para Kenny Florian e BJ Penn, Stevenson tenta mostrar contra Sanchez que amadureceu e pode voltar a merecer uma chance de disputar o cinturão.

Como a maioria dos grandes nomes da divisão está fora do UFC, Sanchez poderá representar um perigo real e imediato para o reinado de BJ. Caso Diego consiga se encontrar com um peso muito abaixo de seu normal e imponha seu ritmo, acredito que Stevenson não terá muita chance no combate. As bolsas de apostas casam 3 contra 1 a favor de Sanchez.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

UFC 95 Sanchez vs Stevenson: Card Preliminar

Por Antonio Oliveira

As lutas preliminares do UFC 95 são das mais interessantes. Há mais lutadores estrangeiros que o comum, com o tema Inglaterra vs. EUA sendo explorado em três lutas. Além disso, Joe Silva fez um bom trabalho fazendo lutas com temas interessante, como é o caso do duelo dos caratecas Mike-C e Neil Grove. Porém, a principal atração para os fãs brasileiros será ver se o “Cigano” consegue provar que chegou no UFC pra ficar.

Terry Etim (Inglaterra) x Brian Cobb (EUA)

Terry Etim é um lutador leve, que já fez quatro lutas pelo UFC (2-2). Nada mal pra quem começou a treinar há apenas três anos. Seu oponente é um wrestler de 1,81m e faixa roxa em jiu-jitsu. Seu cartel é 15-4 (10 vitórias por submissão) e está há 9 lutas sem perder.

Etim é o favorito entre os apostadores, talvez por ser mais experiente, conhecido dos fãs e estar lutando em casa. Porém, apostar em Brian pode ser a barbada da noite. Creio que o americano aplicará várias quedas em Terry que, sobrevivendo, dificilmente levará uma decisão.

Paul Kelly (Inglaterra) x Troy Mandaloniz (EUA)

Paul Kelly não tem formação em artes marciais e aprendeu a lutar nas ruas de Liverpool. Hoje o meio-médio treina na Wolfslair com Michael Bisping e Quinton Jackson. Em sua terceira luta pelo UFC, tentará se recuperar da primeira derrota na carreira, imposta por Marcus Davis via guilhotina no UFC 89.

Troy Mandaloniz é amigo de infância de B. J. Penn, com quem treina até hoje. O havaiano participou do The Ultimate Figther 6, tendo sido eliminado nas quartas-de-final da competição por Matt Arroyo. Entretanto, sua estréia no UFC foi vitoriosa e agora luta pra provar que é muito mais que um amigo de famoso.

Ambos lutadores compartilham das mesmas características. Inexperientes em MMA, gostam da luta em pé, têm mãos pesadas, fazem parte de times renomados e por isso devem treinar todos aspectos do jogo. É uma luta que pode acabar em um soco ou nas mãos dos juízes por excessiva cautela dos lutadores. Mas o favoritismo está ao lado de Paul Kelly, que aparentemente é o mais agressivo dos dois lutadores.

Per Eklund (Suécia) x Evan Dunham (EUA)

Per Eklund é um atleta com bastantes lutas, mas ainda mediano. Campeão do Rings europeu, é faixa roxa em jiu-jitsu, tem uma derrota e uma vitória no octógono e uma vitória no boxe profissional.

Evan Dunham foi chamado para substituir David Baron. Invicto, mas inexperiente, Evan treina na Xtreme Couture e gosta do jogo de chão.

Ambos preferem a luta de chão, visto que 54% das vitórias do sueco e 71% das do americano aconteceram via submissão. Porém Eklund é muito mais completo, experiente e deve vencer com tranquilidade. A menos que Evans seja uma dessas estrelas pronta para ser descoberta ou que aproveite um vacilo feio de Eklund.

Mike Ciesnolevicz (EUA) x Neil Grove (Inglaterra)

O interessante dessa luta é o raro duelo entre dois caratecas. Mike é faixa marrom em Caratê Shorin Ryu. Além disso, o americano de 104kg foi wrestler universitário e treina há anos na Miletich Fighting Systems.

Neil Grove é faixa preta em Caratê Goju Ryu, pesa 120kg e alcançou todas suas sete vitórias por KO ou TKO.

Apesar de também ser carateca, Mike (1,83m) não deve lutar em pé contra um atleta mais graduado, mais pesado e maior (2,01m) que ele. O americano deve usar do seu conhecimento para fugir dos golpes e entrar para o clinch, de onde tentará colocar as costas de Neil no chão. Porém, a diferença de tamanho dificultará a aplicação desta estratégia e facilitará a defesa do inglês, que tem mais chances de terminar a luta com um golpe.

Júnior "Cigano" dos Santos (Brasil) x Stefan Struve (Holanda)

O brasileiro, que treina há apenas quatro anos, é discípulo de Rodrigo Minotauro e seu sucessor em termos de estilo. Júnior é faixa roxa e campeão baiano de jiu-jitsu e treina boxe com afinco na Team Nogueira. O brasileiro conseguiu fama na sua primeira luta importante, quando só precisou de 81 segundos pra nocautear Fabrício Werdum no UFC 90.

Stefan Struve é um lutador alto (2,11m), cuja envergadura dificultará a aproximação de Júnior. Além disso, seu cartel indica que ele se vira muito bem no chão. São 18 lutas e 16 vitórias (75% via submissão). Outro indicador de qualidade é que essa promessa holandesa de 21 anos foi disputada pelo Affliction, DREAM e UFC.

Júnior aparece como favorito nas casas de apostas, mas é difícil ter uma opinião sobre lutadores tão jovens, que não foram muito testados contra competição de ponta. A esperança, além da vitória brasileira, é uma luta de três rounds para podermos ver mais da técnica destes atletas.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Notas da Semana (I)

9 a 15 de fevereiro de 2009, por Antonio Oliveira

Roy Jones Jr. = Boxe + MMA
O famoso boxeador está promovendo o evento em que enfrentará Omar Sheika. A novidade é que, antecedendo o combate principal, ocorrerão três lutas de MMA. O evento chama-se March Badness e será no dia 21 de março. As lutas têm um apelo "marketeiro", mas não deixam de ser interessantes: Seth "Venci Kimbo Slice" Petruzelli enfrenta Doug Marshal, ex-campeão dos meio-pesados do WEC. Roy Nelson (ex-IFL) enfrenta o fora-da-lei Jeff Monson (ex-UFC). Na última luta, Bobby Lashley, uma espécie de Brock Lesnar negro, fará sua segunda luta em MMA contra um oponente a ser definido.

YouTube Camp

Com um cartel de 8-0 (5 vitórias por nocaute) e uma última apresentação cheia de plasticidade, Jon Jones é a sensação do momento. Mas o lutador, que acertou um spinning back elbow em Stephen Bonnar, disse que aprendeu kickboxing na internet. "Não tinha um treinador para luta em pé... Tive que me ensinar... Eu estudava vídeos no YouTube, ou acessava sites diferentes, onde podia ver as lutas do PRIDE... Aprendi os golpes e comecei a praticá-los em treinos... Os vídeos do YouTube podem te ensinar muito. Depende de como você os busca. Se você procurar bastante, pode achar vídeos de seminários com os melhores lutadores do mundo. Basta você levá-los a sério" disse Jones em entrevista ao site SI.com.

(Jon Jones não é o primeiro que aprende a lutar desta forma. O falecido Evan Tanner, ex-campeão do UFC, nunca foi formalmente treinado e aprendeu grande parte do seu jogo com vídeos de artes marciais).

UFC 97 Cancelado?
A Comissão Atlética de Quebec pediu ao UFC para banir joelhadas e cotoveladas no evento programado para o local, cuja atração principal é o confronto entre os brasileiros Anderson Silva e Thales Leites. Como o UFC não admite tais ingerências, há um impasse no diálogo entre as duas partes e a realização do evento não é certa.

UFC 100
Sábado, Dana White falou a uma rádio de Montreal que Georges St-Pierre lutará no card do antecipado evento, que acontecerá no mês de julho em Las Vegas, EUA.

O samurai brasileiro

Em entrevista para o UOL, Lyoto Machida explicou seu estilo para o fã de MMA: "...bater e apanhar pouco. Este é o verdadeiro objetivo das artes marciais. Minha técnica vem dos samurais. Na época deles, qualquer golpe do adversário que encostasse uma única vez poderia custar um braço, uma perna, ou até mesmo a vida. A minha luta é feita para enfrentar momentos de perigo, alguém com uma arma na mão. O rival tem de encostar em você o mínimo possível."

Belfort x Fedor?
Em entrevista para o Terra Magazine, Vítor Belfort vendeu seu peixe, dizendo que UFC e Strikeforce também desejam os serviços dele. A maior revelação da entrevista, entretanto, fica por conta de uma eventual luta entre o médio brasileiro e o melhor pesado do mundo (isso mesmo), Fedor Emelianenko! "Tenho velocidade e explosão para vencê-lo", afirmou Vítor, possivelmente de olho na enorme bolsa que receberia. É possível que o combate aconteça por falta de outros oponentes para o russo (Josh Barnett recusou a luta). Vadim Finkelstein, presidente da M-1 Global, declarou no site oficial do evento: "Para o nosso próximo show, podemos colocar uma luta sem valer o cinturão do Fedor contra, vamos dizer, Belfort..."

Cyborg x Carano
Cristiane "Cyborg" Santos assinou um contrato de quatro lutas com a Strikeforce (compradora da falida Pro Elite, onde Cristiane lutara). A antecipada luta com Gina Carano parece estar mais próxima.

Shamrock, o ainda relevante
A mesma nova Strikeforce anúnciou seu primeiro evento para o dia 11 de abril. A luta principal será Frank Shamrock x Nick Diaz. Na Strikeforce, Frank já fez belas apresentações contra César Gracie, Renzo Gracie, Phil Baroni e Cung Le, mas perdeu a última luta por ter quebrado o braço defendendo os potentes chutes do vietnamita. Em seu retorno, Frank pega o mais famoso pupilo de César Gracie, que tentará vingar a derrota do mestre para o melhor dos irmãos Shamrock.

Shamrock, o outro
Até sexta-feira, a última vitória de Ken Shamrock ocorrera em 2004 contra Kimo Leopoldo. Depois disso, Ken lutou e perdeu cinco vezes. Mas, em evento organizado por si mesmo, Shamrock reencontrou-se com o sucesso contra Ross Clifton, via chave de braço no primeiro minuto de luta. No mesmo evento, David "Tank" Abbott venceu Mike Bourke via KO aos 29 segundos de combate. Seu cartel agora conta com duas vitórias e sete derrotas nos últimos 10 anos. A facilidade com que os mais que veteranos encerraram suas performances deixou alguns com a impressão de evento arranjado e feito só pra promover um eventual embate entre as duas relíquias do MMA.

Mais MMA na TV aberta brasileira

Mostrando que o MMA realmente vem crescendo no Brasil, a Rede Globo mais uma vez deu espaço ao esporte em sua programação. Anderson Silva foi entrevistado por Serginho Groissman no programa Altas Horas, exibido na madrugada de sábado para domingo.

Apesar de o apresentador ter mostrado que o esporte ainda é desconhecido pela grande massa, fazendo perguntas que levavam a platéia a crer que o MMA é um "esporte violento", onde "circula sangue" (culpa de falta de conhecimento de Groissman), a iniciativa é importante para a massificação do MMA no Brasil. Anderson ainda tentou se sair bem, mostrando que o esporte tem regras para proteger os lutadores e que ele não teve uma infância de brigas (como perguntou Serginho).

Este assunto é polêmico e merece um post. Enquanto isso, veja abaixo um trecho da entrevista:

domingo, 15 de fevereiro de 2009

MMA versão 2.0

O que vimos até agora neste especial de certa forma já faz parte da História. Por mais que Coleman ainda esteja na ativa, o fato de ter 44 anos e já estar no Hall da Fama mostra que seus dias de glória fazem parte do passado.

Transcrever a História é interessante e importante. Testemunhar a História ser escrita é muito mais bacana. Se na fase Beta o MMA englobava lutadores especialistas em uma arte enfrentando mestres de outras e na fase 1.0 vimos os lutadores sendo obrigados a aprender técnicas de outras lutas para sobreviver no esporte, na fase 2.0 estamos vendo, na minha opinião, a maior revolução feita no MMA.

Atualmente são comuns os esquemas profissionais de treino, com lutadores utilizando treinadores e parceiros especialistas em cada aspecto da luta. Qualquer atleta de ponta atualmente conta com, no mínimo, treinador de Muay Thai e/ou boxe (para a luta em pé), de luta olímpica (para quedas e clinch) e jiu-jitsu (para o confronto no chão), independente da especialidade do lutador. Isso se quiser ter alguma chance de êxito. Ainda contam com programas de preparação física e psicológica que se fazem presentes em qualquer esporte de ponta. A soma de todos estes aspectos criou um novo estilo de luta: o MMA.

Quem começou esta revolução foi Tito Ortiz, ao chamar os melhores para treinar com ele. Mas podemos considerar Georges St-Pierre o grande expoente desta mudança. Diferente de Ortiz, que era (é) limitado tecnicamente, GSP se tornou um lutador completo no aspecto técnico, tem um preparo físico monstruoso e o lado psicológico dos mais fortes do MMA. Com a popularização do esporte, o canadense tornou-se uma estrela além do MMA, sendo capa inclusive de revistas como a Men's Fitness, que fez uma reportagem sobre os treinos do campeão dos meio-médios do UFC.

Os eventos seguem revolução similar. Depois de ver seu prestígio abalado pelo PRIDE, o UFC conseguiu retomar a ponta. A grande tacada foi a criação do reality show The Ultimate Fighter, em 2005, transmitido em TV aberta nos EUA, idéia que alavancou de vez a popularização do esporte. O crescimento permitiu que os irmãos Fertita, donos da Zuffa LLC (proprietária do UFC) comprassem a Dream Stage Entertainment, dona do PRIDE, em 2007, devolvendo ao UFC a aura de principal evento de MMA do mundo.

Mas quem vem fazendo a maior revolução entre os eventos atualmente é a Affliction Entertainment. Criada a partir da junção da Affliction Clothing, marca de roupas muito utilizada por lutadores, mas que foi banida do UFC, com a M-1 Global (organizadora do K-1), a Golden Boy Promotions (empresa do boxeador Oscar de la Hoya, que promove os maiores eventos de boxe no mundo atualmente) e Donald Trump, poderoso empresário americano, além de Tom Atencio, melhor matchmaker do MMA atual. Empresas e profissionais de ramos distintos juntos para alavancar ainda mais o esporte.

Além de contar com a estrela máxima do esporte, Fedor Emelianenko, o Affliction tem como contratados lutadores do naipe de Vitor Belfort, Andrei Arlovski, Tim Sylvia e Josh Barnett, só para ficar entre os ex-campeões do UFC.

Alguns dizem que, com cards caríssimos, o Affliction pode ter vida curta, ainda mais em tempos de crise econômica mundial. Mas isto é assunto para terça-feira, quando encerraremos este especial mostrando uma possibilidade de futuro do MMA.